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20 de agosto de 2006

Baía dos Tigres. do nome

O texto que se segue resulta da colagem de excertos de uma conversa virtual mantida no sítio SanzalAngola, no fórum Que se Passa? » Cultura Angolense, entre 19 de Abril e 10 de Maio de 2005.

http://www.sanzalangola.com/forum/thread.php?threadid=9202&sid= ac. 20.08.2006


Tomás Gavino, 19.04.2005:

Eu tenho várias dúvidas, mas há uma que me vem perseguindo há algum tempo: existem diversos escritores, angolanos ou não, desde Cadornega a Óscar Ribas, a Manuel Pacavira, e mais, que mencionam LOBOS nas matas angolanas! Lobos!!!

Óscar Ribas, por exemplo, ao mesmo tempo que fala de lobos, fala também de hienas, mabecos e chacais, por isso sabe bem do que está a falar!
Manuel Pacavira é um escritor actual, angolano, que não pode desconhecer que em Angola nunca houve lobos!

Ou será que houve?



Campos de Camacupa, 19.04.2005:

Essa de lobos em Angola faz lembrar uma mais antiga de Alexandre Dumas que num conto infantil também localizou tigres precisamente em Angola...



Campos de Camacupa, 21.04.2005:

Eu não sabia que Cadornega também havia localizado tigres em Angola, mas li um dia há muitos anos a passagem do pequeno livro infantil de Dumas em francês onde ele descreve as aventuras de um navegador que chega à costa de Angola e avista os ditos tigres.


Admário Costa Lindo, 22.04.2005:

"O tigre começou há 500.000 anos a evoluir lentamente para a sua forma actual. Durante a migração em direcção às regiões mais quentes, adaptou-se progressivamente aos novos habitats. O caminho para sul conduziu-o para as florestas tropicais e para as ilhas do Sudoeste Asiático até à Manchúria, à Coreia do Sul, à China e ao Vietname..." (1)

Os pontos mais a sul do Equador atingidos pelos tigres foram as ilhas de Samatra e Java.

Os estudos efectuados permitem concluir a existência de 8 subespécies de tigre:

Tigre-real ou tigre-de-bengala, Panthera tigris tigris, "vive nas florestas tropicais húmidas de Assam ou de Bengala, mas também nas florestas pantanosas do Sudoeste e do Norte da Índia, bom como nas do delta do Ganges. Também vive nas regiões de altitude, na vegetação alpina e nas florestas de folha caduca do Nepal, na região dos Himalaias. Encontra-se ainda nas florestas de bambu da Índia Central, nas savanas e bosques da região do Terai e na floresta mista seca chamada monsónica (árvores de folha perene e árvores de folha caduca), na Índia Setentrional." (1)

Tigre-da-indochina, P. t. Corbetti, "vive nas florestas densas da Birmânia e nas florestas e savanas da Indochina."

Tigre-da-china, P. t. Amoyensis, "vive nas savanas, nas florestas de carvalhos e de choupos e nas montanhas da China Central e Ocidental, cobertas de carvalhos, de coníferas e de fetos arbóreos."

Tigre-do-cáspio, P. t. virgata, extinto desde meados do séc. XX, vivia nas "zonas de aluvião ao longo das margens dos rios, coberta de árvores ou de arbustos, hoje completamente destruída. No Irão habitava nas encostas das colinas, protegido pela vegetação densa."

Tigre-da-sibéria, P. t. altaica, "encontra-se nas florestas boreais (carvalhos e coníferas)."

Tigre-de-samatra, P. t. sumatrae, "vive na floresta tropical húmida da ilha de Samatra, exuberante de palmeiras, lianas, orquídeas, arbustos e árvores de grande porte."

Tigre-de-Java, P. t. sondaica e Tigre-do-bali, P. t. balica, hoje extintos, viviam no mesmo habitat do tigre-de-samatra.

Os Tigres Brancos não pertencem a nenhuma subespécie, são antes uma variedade do tigre-de-bengala. ""A cor branca é devida a um carácter recessivo do património genético, que se torna carácter dominante - e portanto manifesta-se - quando ambos os progenitores são portadores deste género "mutante" responsável pela cor."" (1)

Tudo isto serve para afirmar que o habitat do tigre se situa bem longe de Angola.

Se escritores, navegadores ou mesmo cientistas deixaram em escritos a presença deste felídeo em terras angolanas só pode ter sido por descuido ou estupidez. E eu digo o porquê da "estupidez":

É certo e sabido que dezenas se não centenas de exploradores, navegadores e mesmo cientistas, todos eles imbuídos de objectivos científicos, fossem eles quais fossem, passaram ao lado da soberba Welwitschia mirabilis, uma planta que, pelas suas dimensões, não pode passar despercebida. Pois dela ninguém deu notícia até Frederico Welwitsch a descobrir, EM MEADOS DO SÉC. XIX.

Descuidos como estes podem provocar hilaridade, hoje em dia, mas são irreparáveis. Ao ponto de ninguém, com poder para tal, se sentir motivado para reparar erros históricos.
Um dos casos é Baía dos Tigres

Baía dos Tigres é um topónimo que não tem sentido nenhum, nem mesmo histórico, uma vez que, como vimos acima, nunca houve tigres em Angola. O motivo da sua manutenção nem é, sequer, nostálgico, uma vez que inúmeros topónimos angolanos se alteraram após a independência.

Porque será que Diogo Cão e os seus marinheiros enviaram tal nome para o futuro?

Se nos dermos ao trabalho de seguir a descrição que Pedro Rosa Mendes faz daquela baía (numa viagem que iniciou em 1997, descrita em livro e que tentava reconstituir a célebre De Angola à Contracosta de Capelo e Ivens) estaremos assim tão longe daquilo que os marinheiros então avistaram?

"A Baía tornou-se uma ilha quando faltou a água. Houve um tempo em que o mundo tocou lá com uma ponta de asfalto. Tudo mudou quando as casas perderam os donos. As marés venceram a estrada e separaram do continente esse punhado de areias. Ninguém mais voltou à ilha ... Para trás ficaram os cães domésticos. A insularidade apagou-lhes todos os reflexos não exigidos pela luta como sobrevivência. As gerações seguintes nasceram em doses crescentes de raiva e embrutecimento ... Aves migratórias com ninho estrangeiro, cardumes reflectidos no luar, lacraus prontos a ferrar a dor, cactos de espinhos: a nada conseguiam chegar, cão come cão, cão mata enquanto não morre. Os cães eram os únicos mamíferos na ilha mas perderam finalmente a memória do amamentar... A Baía é uma praia farpada a medo. Diz-se que os cães comem gente e gente não apura a verdade. Os tigres são isto." (2)



Tomás Gavino, 24.04.2005:

BAÍA DOS TIGRES
Que tigres? Seriam tigres marinhos, do tipo leão marinho?
Pode ser...

Se não, qual a origem do nome?



Saparalo (Orlando Salvador), 24.04.2005:

Quanto à nossa Baia dos Tigres, a versão mais lógica e constante em várias publicações históricas é a de que os navegadores que passavam ao largo da grande baia com rota a outros destinos viam de longe , na costa , umas listas escuras nas areias "dunas" que eram sombras sobre o deserto.
De muito longe pareciam peles de tigres, e daí referenciarem aquela área como a Baia dos Tigres.

Há uma outra versão ligada ao facto de terem existido há muitos, muitos anos, na praia, muitos cães grandes e que bebiam a finíssima película de agua doce que o mar tinha. Os cães seriam bravos, mas não liga muito bem esta versão. A outra, sim, é narrada pelos antigos navegadores nas descrições das suas viagens.



Admário Costa Lindo, 26.04.2005:

Como já aventei anteriormente o topónimo Baía dos Tigres (ou S. Martinho dos Tigres, em memória do seu padroeiro) deriva de um "erro histórico irreversível". Porque nunca houve tigres em África, tampouco em Angola.

É certo que as hipóteses avançadas pelos historiadores procuram encontrar uma explicação para a origem do nome. Como diz o caro confrade Orlando Salvador, "umas listas escuras nas areias que eram sombras sobre o deserto" e que "de muito longe pareciam peles de tigres" é uma dessas hipóteses. Mas não tem consistência por aí além, penso eu.

Confundir sombras das dunas com peles de tigres é um tanto surrealista. Ou talvez não! Mas os marinheiros de então não tinham conhecimento preciso do aspecto de um tigre.
Estamos no séc. XV. ""No séc. III a.C., um general de Alexandre apresentou aos Atenienses o primeiro tigre que foi visto na Europa... Depois da queda do Império Romano, a recordação da espécie desapareceu a tal ponto que, no séc. XIII, Marco Pólo se mostrou muito surpreendido com este "GRANDE LEÃO", com uma soberba pelagem às riscas pretas, que descobrira na corte do imperador mongol Kublay Kham."" (1)

A Baía em causa não era, nem é, tão insignificante que os marinheiros a baptizassem apenas por a terem avistado "de muito longe". Com efeito, "a capacidade em navios fundeados é de 114 para Luanda, de 70 para o Lobito, de 66 para Moçamedes e de 136 para Porto Alexandre, enquanto na Baía dos Tigres podem estar fundeados 5.427!" (3)
A importância desta baía foi tal para os navegadores portugueses que ""Bartolomeu Dias partiu de Lisboa a finais de Agosto de 1487, comandando uma esquadra de três navios, dos quais, dois eram caravelas e o terceiro, uma "naveta" com mantimentos, destinada a ficar em lugar seguro, algures na costa africana... Até esta viagem, não temos notícia que se tenha tomado uma medida semelhante e a circunstância em si não pode deixar de ser significativa de um receio ou apreensão acerca do que aguardava os marinheiros para além daquelas paragens... o local escolhido foi a baía dos Tigres..."" (4)
Isto atesta o franco conhecimento que os marinheiros tinham da baía, que não poderia ter sido adquirido apenas vendo-a "de muito longe".

Resta-nos tentar descobrir que animais teriam eles visto, efectivamente, in loco.

Na província do Namibe "entre os felinos, além das pequenas espécies como o gato selvagem - Geneta felina (a) - e o lince - Felis caracal (b) - temos o chamado rei dos animais, o celebrado leão - Felis leo (c) - animal consagrado como símbolo da força... Circulam por toda a região duas espécies de leopardos - Felis pardus (d) e Cinaelurus jubatus (e) - aos quais, erradamente, MUITOS CHAMAM ONÇAS OU TRIGRES, animais do oriente, que não habitam no continente africano... São vulgares as hienas, - Hyaena brunnea e Hyaena crocuta - e os cães selvagens ou mabecos - Lycaon pictus - animais de grande ferocidade quando em matilhas..." (6)

Seriam então leopardos? Ou chitas?

A versão dos cães não liga tão mal assim. É que os canídeos e a Baía dos Tigres estão intimamente (ou umbilicalmente?) ligados. Veja-se o que nos diz Henrique Abranches:

[ o excerto que se segue, da obra de Abranches atrás referida, sobre a ancestral ligação entre Baía dos Tigres e os cães, não foi, por lapso, incluída no fórum]

“Pedro Mbala sabia dos cães. Muita gente ouvira falar, de maneira mais ou menos vaga, sobre esses bizarros cães da Baía dos Tigres. Contavam-se versões diversas. Uma delas referia que no século XVIII um navio ainda não identificado naufragara ao largo dos Tigres. Os cães, aparentemente de várias raças, vinham a bordo e foram os únicos sobreviventes. Nadaram para a costa, encontraram um habitat duro e pobre, mas sem alternativa. Adaptaram-se a ele comendo principalmente o peixe morto que vinha dar à praia, ou as ovas de peixe tão abundantes que por vezes tingiam as águas da baía de um tom laranja; outras vezes caçavam raposas, perseguiam as aves marinhas com técnicas de guerrilha, dois atrás, pés na água, e um pela frente impedindo a vítima de tomar velocidade para levantar voo, ou ainda banqueteando-se com um ou outro cachalote, vindo misteriosamente acabar os seus dias no saco da baía que, a avaliar pelos enormes maxilares e costelas ósseas espalhados pela praia, parecia ser um cemitério consagrado pelos cetáceos. Uma outra versão contava que em tempos recuados instalara-se em Moçamedes uma epidemia de raiva e a Administração ordenara a morte de todos os cães. Mas algumas pessoas, apiedadas dos animais, meteram-nos a bordo de uma barcaça e rumaram para o Sul para os deixar em qualquer praia, bem longe, mas em vida. Foi assim de desembarcaram os seus invulgares passageiros na Baía dos Tigres. Contudo não havia por lá nenhuma nascente, nenhum curso de água, mas esses admiráveis animais aprenderam depressa que a espuma das ondinhas que molhavam o areal não era salgada e, nos longos marasmos do vento, a água inerte com um espelho, lambiam a superfície que também não tinha sal. Nesse ambiente cruel, aprenderam a viver e multiplicaram-se, tornando-se eles próprios tão cruéis como o meio.” (5)

Mas atendo-nos apenas ao relato de Pedro Rosa Mendes substituamos os cães por mabecos (também canídeos). Para quem, como os navegadores do séc. XV, ouviu falar em tigres mas nunca os viu e jamais viu ou ouviu sequer pronunciar o nome dos mabecos, as manchas ou malhas destes não poderão equivaler a listas?



Tomás Gavino, 26.04.2005:

E se foram avistados tubarões-tigre?
Também não é uma hipótese de descartar, julgo.



Admário Costa Lindo, 10.05.2005:

Na minha última aquisição bibliográfica descobri um novo facto histórico.

Os historiadores dos Descobrimentos (e não só) referenciam os lugares geográficos, regra geral, apresentando os topónimos arcaico e moderno (caso exista).

Para nos mantermos na região em questão:

Angra das Aldeias = Porto Alexandre
Angra dos Negros = Moçamedes.

Eu já tinha notado que a Baía dos Tigres não tinha designação arcaica, ou melhor, que a designação sempre fora a mesma. Mas daí nunca tirei qualquer ilação. Não é caso único.

Engano redondo! O que descobri deixou-me banzado!

"... Diogo Cão, ultrapassando o cabo do Lobo, deteve-se no cabo Negro, onde colocou o seu 3º padrão, em 16 de Janeiro de 1485 (ou 1486); e cabo Negro, porque o monte, na costa, rodeado de areia, cobria-se de mato raso, que o escurecia. A região era quase deserta.
A seguir, a armada fundeou na angra das Aldeias (Porto Alexandre), assim classificada em virtude das duas aldeias indígenas ali encontradas, cujos habitantes se dedicavam à pesca. Depois, descendo mais abaixo, o navegador entrou na Manga das Areias (Baía dos Tigres) , com duas léguas na largura da boca, estendendo-se cinco ou seis, pela terra dentro, e com 12 a 15 braças de fundo. Também aqui o peixe era a riqueza exclusiva. Os negros mantinham-se com ele e construíam abrigos com costelas de baleias que davam à costa e com seba [A] do mar. Tudo o mais era areal confrangedor, desprovido de água, enquanto a navegação era difícil e perigosa, fora da reentrância grandiosa e acolhedora." (7)

Bem remoída a questão da existência de uma designação anterior, Manga das Areias , fácil é concluir que o topónimo Baía dos Tigres é posterior à Descoberta e não foi o topónimo escolhido pelos navegadores.

Sem esforço de maior também se conclui que a tese das "riscas formadas por sombras nas dunas, observadas de longe pelos navegadores", passa para a secção das lendas, ou para as calendas gregas.

Fica de pé, portanto, a hipótese da fauna mamífera encontrada, resultante de observação directa. Sobre isto nada tenho a acrescentar ao que já foi dito (até ver!!!).



colagem da responsabilidade de
admário costa lindo

notas

(A) Algas

taxonomia actual:
(a) na verdade uma gineta, Nandinia binotata
(b) também conhecido por caracal ou lince-caracal
(c) Panthera leo
(d) Panthera pardus
(e) Acinonyx jubatus , a chita.

bibliografia citada:
(1) MADIER, Monique; Christine Sourd, Thérèse de Cherisey, Sylviane Debus e. O Tigre , in Vida Selvagem, Animais da Floresta Tropical-1 , Selecções do Reader's Digest, Lisboa, 1995

(2) MENDES, Pedro Rosa. Baía dos Tigres , Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1999

(3) TEIXEIRA, Pimentel. Breve Notícia, in Semanário "O Sul de Angola", Número Comemorativo do Centenário da Fundação de Moçamedes, Moçamedes, 04.08.1949

(4) MATOS, J. Semedo de. A Marinha Joaninha , in Revista da Marinha, Junho de 1999, http://www.marinha.pt/extra/revista

(5)
ABRANCHES, Henrique. Os Senhores do Areal , Campos das Letras, Porto, 1998.

(6) TEIXEIRA, Pimentel. Animais da Selva, in Semanário "O Sul de Angola", Número Comemorativo do Centenário da Fundação de Moçamedes, Moçamedes, 04.08.1949.

(7) DELGADO, Ralph. História de Angola, Primeiro Período e Parte do Segundo 1482 a 1607 , 1º volume, edição do Banco de Angola, s/data e nº de edição. (inclui "Introdução da primeira edição", com data de 30/06/1946), pg. 68.

3 comentários:

Rui disse...

Vivi na Baía dos Tigres durante um ano 1958/1959 porque o meu pai de nome Francisco Machado foi iniciar 3 anos antes o abastecimento de água potável que foi buscar à foz do rio Cunene, tendo sido dístribuida na Baía em princípios de 1959. Hoje com 60 anos ainda sonho com esse lugar inenarrável neste espaço, lamentando que em tão poucos anos deixassem destruir o que tanto esforço e suor levou a construir. Vivemos num mundo cada vez mais cruel.Vêem-me à memória os nomes do Maitica, da Glória do Menino Barros e tantos outros que apesar de não lembrar os nomes recordo alguns rostos e algumas histórias desta época que qualquer dia contarei. Logo que tenha mais conhecimentos Informáticos também vou colocar neste "site" muitas fotografias que ajudam a contar as histórias desta que foi a maravilhosa BAIA DOS TIGRES.(com ou sem eles

carlos morais disse...

O NOME DE BAÍA DOS TIGRES, DEVE-SE UNICA E SIMPLESMENTE AO ASPECTO E À IMAGEM, (DE QUE SE DISFRUTA POR QUEM VAI DE BARCO JUNTO DA COSTA), DAS DUNAS DE AREIA QUE SE ESTENDEM, POR CERCA DE 60 KLS. E A POUCOS METROS DA PRAIA. ESTAS, COM A ACÇÃO DOS VENTOS, PREDOMINANTES DE SUDOESTE, FORMAM RISCOS COM ALTOS E BAIXOS RELEVOS, DEPOSITA-
DO NOS BAIXOS RELEVOS AS AREIAS MAIS PESADAS, DE TONALIDADE MAIS ESCURA DA QUE A QUE SE MANTEM NOS ALTOS RELEVOS, DAÍ A IDEIA DA PELE DE TIGRE. A ZONA TAMBÉM É OU ERA CONHECIDA, COMO A ZONA DOS RISCOS, ONDE NA PRAIA MAR, AS ONDAS ATINGIAM AS DUNAS, QUE PROVOCAVAM O DESMORENAMENTO DE TONELADAS DE AREIA, PROVOCANDO RUIDOS AUDÍVEIS A ALGUMAS CENTENAS DE METROS.
NA BAIXA MAR, É POSSÍVEL VIAJAR DE JEEP, MAS EM CASO DE AVARIA NAQUELE PERCURSO DE 60 KLS., É IMPOSSÍVEL SALVAR A VIATURA. ACONTECEU COMMIGO, POIS TIVE DE FICAR ALI UMA NOITE, E VER A VIATURA A SER BANHADA PELAS ONDAS E DE MANHÃ ESTAR TOTALMENTE COBERTA DE AREIA, DAS DERROCADAS DAS DUNAS. SAIU DALI SÓ A REBOQUE E AINDA NA ALTURA QUE ERA BAÍS E NÃO ILHA DOS TIGRES, CLARO ISTO TUDO ACONTECEU EM 1960

Unknown disse...

Sou filha do Carlos Alberto Aidos que, de memoria, esteve em missão na Baia dos Tigres (nos anos 40 ?) e me falava do rio Cunene. Alguém o conheceu por là ?
Sei que ele fez o levantamento do sul de Angola para a construção do caminho de ferro ligando a costa do sul de Angola à Zambia.
Gostaria de poder reconstruir o passado dele...
Ana Maria Aidos